sábado, 19 de junho de 2010

Já ouvi muita gente – e até mesmo eu – reclamar sobre o individualismo, quando na realidade confundem com egoísmo, que aliás é um antônimo, um vício condenado. Porém não é bom aceitar como verdade absoluta tudo o que o conhecimento popular nos diz.

Uma pessoa individualista acredita ser essencial seus próprios interesses, o que não significa, em hipótese alguma, prejudicar os que os cercam. Eles tem então uma noção absoluta dos limites da sua individualidade, sem isso, não haveria como diferenciar-se.

As pessoas ao nosso redor, o que escutamos, todo esse jazz hollywoodiano nos dizem pra valorizar cada vez mais demonstrações sentimentais e colocar em pedestais relacionamentos onde há uma doação incondicional e sem medidas. Então, o individualista, aquele que pura e simplesmente não espera muito, talvez nada dos outros, e prefere comprometer-se pouco, é considerado egoísta, quando na realidade, os verdadeiros egoístas são os que exigem profundas trocas de experiências entre as pessoas, onde podem beneficiar-se, e como não sobrevivem sem isso, acusam quem não aceita as regras desse jogo: ganha um, perde o outro. Em geral, aqueles que não estão dispostos à terem seus direitos feridos são os tão (mal) falados individualistas. E aos egoístas não resta outra saída a não ser se aproveitar dos generosos – aqueles que não se importam em abrir mão de suas idéias para receber muito menos do que mereciam por isso.

Alguém egoísta faz questão de deixar bem claro sobre o quanto é feliz e satisfeito consigo mesmo, quando na verdade ocorre exatamente o contrário, essa pessoa é totalmente dependente – de atenções, de proteção, de companhia, se não fosse, não precisaria tirar vantagens de qualquer tipo de relacionamento. Na verdade, gostaria de ser individualista, de ter força suficiente para bastar a si mesmo, de agüentar com dignidade as dores, de poder escolher entre trocar ou não experiências. O individualista o possui, enquanto o egoísta o finge, até para si mesmo, uma energia que não possui.

Por isso, tantas pessoas que se dizem devotas são de fato egoístas, são porcamente comparados à vampiros, sugam todas as vantagens ao seu redor para suprir sua incompetência. Não digo que seja assim por maldade, provavelmente é por ingenuidade, por sua fraqueza e porque simplesmente não se basta sozinho. Gente assim até me convence de sua independência. Mas não enganam a si mesmos.

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