Eu costumo tomar banho com agua gelada, mesmo nos dias mais frios. Não sei, mas a sensação que tenho depois que seco meu corpo é de que ele está um pouco menos intenso e ardente que de costume, como se de alguma forma a temperatura baixa pudesse realmente me fazer uma pessoa mais fria. Menos impulsiva. Reciprocamente apaixonada.
Diferentemente da maioria, talvez pela minha neurose com meio ambiente e saturação de idéias sobre minha vida, não fico muito tempo no banheiro, não gosto de reflexões no chuveiro nem coisa que o valha. Mas bem tenho acreditado que deveria passar mais tempo pensando longe do fervor do meu quarto.
Pensado que não deveria ter me derretido e escorrido novamente até você, não deveria ter engolido todo o café quente, nem estuprado meu inconsciente tantas vezes. Talvez não devesse ter dado um ponto final.. ponto final, que aliás, de final não tem nada.
Não acredito no fim. Não é que não sou capaz de esquecer e ficar bem, é que isso me apavora. Me apavora mais do que banhos frios. Faz os pelos do meu corpo se arrepiarem completamente me imaginar com outra pessoa, ou pior, te imagina assim. Lembrar de tudo não com saudades, mas com a sensação de que tomei a decisão certa. Acreditar em outros, ter esperança em tudo. Simplesmente me dá muito medo. Tenho medo porque por mais frustrantes que tenham sido e estejam sendo certas situação, por mais que eu tenha plena certeza de que só estou me enganando, eu continuo esperando. Eu posso apagar, rasgar, destruir, queimar, que não importa o que acontece, eu estarei aqui. E não sei até quando estarei assim porque nada vai mudar. Porque talvez eu não quero que mude. Eu fico com medo quando estou confusa... e que porra, não faço mais idéia mesmo do que eu ainda estou tentando botar pra fora, do que eu tenho tentado organizar em milhares de linhas tortas que não fazem sentido. Estou confusa, e nada faz mais sentido. Mergulhada em ideias doentias e dessa vez, a agua está fervendo.