sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Primeiro, eu achei que era pra fazer minha familia ficar orgulhosa de mim. Depois, eu achei que era sobre salvar vidas...
A verdade é, eu não consigo simplesmente escolher um motivo... Peraí, essa é a resposta.
Eu quero ser médica por todas essas razões, e mais um milhão delas! Razões que eu nem mesmo cheguei a imaginar...
Porque a estrada simplesmente não é fácil. Parece sempre que tem algo no seu caminho, e às vezes.. é até você mesmo...
Para nossa sorte, estamos cercados por indivíduos incríveis: Conselhos espertos, Professores dedicados..
E então, têm também os novos amigos, que fazem tudo ficar um pouco mais fácil de suportar.
Pra finalizar, eu queria dar uma simples resposta à pergunta da minha vida: Porque eu quero ser um médico?
Bem... eu quero ser um médico porque os médicos dão às pessoas segundas chances.
E todos nós merecemos uma segunda chance.
Estava passeando no centro, sem nada pra fazer, quando fui abordado por uma mulher de vestes curtas, em plena tarde de inverno, que me entrega um panfleto. De imediato amassei-o e joguei fora, mas, não sei porque resolvi voltar atrás e perguntar o que era.
O melhor programa da cidade, R$ 100,00 a hora, mas eu estava sem nada, não tinha nem uma migalha no bolso, alias, além da roupa, só o que eu tinha era a minha vontade, disse que voltaria outra hora, e ela disse pra eu voltar e chamar por ela, Susana, a noite vai ser inesquecível.
O dia passava e eu não conseguia parar de pensar no que ela havia me dito, mas que droga, R$ 100,00 é quase o que eu ganho no mês, alias, emprego de merda, vida de merda, faz mais de 5 meses que eu não fico sozinho com uma mulher no quarto, também, naquele maldito apartamento com aqueles drogados e aquela velha, a única vantagem daquele pulgueiro é que a policia nunca bate lá.
Que droga de vida, acho que se eu cair morto aqui ninguém sente falta, alias, to morto de fome, vou comprar alguma coisa na fruteira do Zé.
Roubei a tigela de moedas de um cego, ele ainda me agradeceu, é, tem quem esteja pior que eu. Comprei um pão com mortadela, era o banquete da semana, saí da fruteira, e vejo saindo da outra fruteira do outro lado da rua, aquela fruteira bonita e cara, Susana, agora com uma roupa menos curta, andando com um rebolado de quem quer ser exibir, quer ser notada, parecia tão forçado e tão atraente ao mesmo tempo, foi então que eu pensei, dane-se, não tenho família, e se me pegarem, na cadeia a comida é melhor que aqui. 
Fui atrás, a segui de longe até entrarmos em uma rua escura, perto da Avenida Brasil , ela foi para calçada esquerda, estávamos só nós dois na rua peguei minha faca, e não era pra cortar o pão, fui atrás dela com a vontade de um animal, corri por trás das árvores, passei por ela sem nem ela me notar, me escondi em uma arvore mais a frente, estava me preparando pra atacar, são tantos estupradores que a gente vê por ai que nunca da nada, sempre estão foragidos, até o Zequinha mesmo, um daqueles drogados do pulgueiro, já cansou de fazer isso, já estava até excitado, esse perigo sempre me “abriu o apetite”, quando ouvi um barulho e vi ela pulando pro lado.
Um carro passou rente a mim, a única coisa que deu pra ver foi ela voando, e ouvir o som das pernas quebrando, aquilo deve ter realmente doido, mas não sei se ela sentiu aquilo, caiu mole em cima de um muro, o sangue escorrendo pelas pernas e cabeça, o desgraçado do carro fugiu correndo, não deu pra ver nem a placa naquele escuro, fui ver como estava a mulher, achei que tivesse morrido, mas estava lá, tendo convulsões, parei, olhei aquilo e pensei, ah, que se dane, ainda ta quente, deve ser a mesma coisa. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mais uma vez, aqui estou eu, por alguém que não existe.
Não sou tão dramática a ponto de aceitar que você mudou. Que o fato de você não me dar mais carinho ou atenção, ou simplesmente não se importar, seja você não gostar mais de mim ou qualquer coisa do tipo. Você simplesmente sempre foi assim, o pouco que sobrou da minha ingenuidade me fez acreditar que eu estava enganada, mas não estava. O pouco que você me deu, eu transformei em muito. Transformei em amor, em carinho, em afeto... transformei numa relação apaixonada, quando na realidade, eu estava mesmo apaixonada era pela minha imaginação.
De fora, eu vejo como minhas tentativas de te fazer sentir o que eu sentia são inúteis. 
Você nunca sentiu, e tenho minhas duvidas se algum dia se apaixonará da forma como eu me apaixono: Todos os dias, pelas pessoas, pela simpatia, pelos sorrisos e pelas piscadinhas no meio da aula.
Tudo bem, vai ver sua escolha é essa: não se magoar. É estranho dizer, mas eu entendo. Sei como soa mais racional ser individualista e  no fundo, eu estou até com um pouquinho de inveja. Saber separar os sentimentos das decisoes é muito útil... mas não esqueça que eles existem, oh, por favor, não os deixe para trás. Pode parecer melhor agora, mas não queira continuar vivendo assim, não queria continuar sendo frio com quem quis seu bem, porque tais pessoas, assim como eu, um dia se cansarão. 
Eu sei que você hoje não se importa, mas uma hora sentirá falta disso tudo. Uma hora, sendo otimista e esperançosa, eu espero que você enxergue isso, que se aceite, que o gelo derreta e você queira amar... quem sabe, pela primeira vez. Lógico que não mais uma pessoa como eu, mas irá querer se apaixonar, por tudo e por todos, irá querer viver não só por viver, mas será como ter aquela sensação de frio na barriga, será a melhor sensação que você poderá experimentar, os malditos sentimentos. E levará tempo até você conseguir ver o que é gostar realmente de alguém, o que é se preocupar tanto, te tal forma, onde você coloca o amado em primeiro lugar, onde você mede cada ato, situação e palavra, para o próximo não ficar chateado. Você deixará de ver seus amigos, de ser quem você é, de comer, de estudar, você deixará tudo de lado, mas não tem problema. Porque tudo que você está fazendo é por alguém que você gosta, você não sentira perdas, cada vez mais que você se preocupar com quem ama será um conforto, a sensação de estar fazendo o que é certo simplesmente porque você agora, se importa. Quem sabe um dia você seja capaz de perceber isso, eu realmente espero que se sinta assim, pode ser que machuque, mas vou te falar, vale muito a pena amar.
Eu só lamento muito que não estarei mais aí para ver isso.
"(...)
Fernando ergueu-se de pronto:
- Neste caso receba minhas despedidas.
Aurélia de seu lado erguera-se também para cortejar o marido.
- Adeus, senhora. Acredite...
- Sem cumprimentos! atalhou a moça. Que poderíamos dizer um ao outro que já não fosse pensado por ambos?
- Tem razão.
Seixas recuou um passo até o meio do aposento, e fez uma profunda cortesia, à qual Aurélia respondeu. (...)
- Um instante! disse Aurélia.
- Chamou-me?
- O passado está extinto. Estes onze meses, não fomos nós que o vivemos, mas aqueles que se acabam de separar, e para sempre. Não sou mais sua mulher; o senhor já não é mais meu marido. Somos dois estranhos. Não é verdade?
Seixas confirmou.
- Pois bem, agora ajoelho-me eu a teus pés, Fernando, e suplico-te que aceites meu amor que nunca deixou de ser teu, ainda quando mais cruelmente ofendia-te. (...) Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te, nas iras de sua paixão. Aqui a tens implorando teu perdão, e feliz porque te adora, como o Senhor de sua alma. (...)
um pensamento funesto perpassou no espírito do marido. Ele afastou de si com um gesto grave a linda cabeça de Aurélia, iluminada por uma aurora de amor, e fitou nela o olhar repassado de profunda tristesa. (...)" 

Senhora, cap XIX. J. de Alencar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"A slow sort of country!" said the Queen. "Now, here, you see, it takes all the running you can do, to keep in the same place. If you want to get somewhere else, you must run at least twice as fast as that!"

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

- Eu realmente tentei. Eu fiz tudo que estava ao meu alcance para salva-lo. Dei o meu melhor, implorei para que ele parasse, mas não foi o suficiente. Eu disse que se ele partisse aquele dia, não era para nunca mais ele voltar. Se ele fosse estaria me perdendo para sempre, me deixando literalmente ensanguentado.
- Tente de novo.
- Você não entende?! Eu não vou ligar pra ele! Eu desisto de tentar ajudar.
- Por acaso você é idiota?! Não vê que você não tem tempo para se dar ao luxo de não querer falar com ele? Sempre soube que era imaturo e egoísta, mas não tanto, não a esse ponto. Seus sentimentos não fazem diferença. Ele precisa de você, agora. E não importa o que ele fez, não importa o que ele falou ou imaginou. Você disse que sempre estaria lá para ele, então pegue essa droga de telefone e tente fazer algo melhor do que da ultima vez.
É engraçado como em todos esses livros ilusórios de auto-ajuda nos dizem sempre a mesma patética coisa: vamos lutar, nos reerguer, perseguir nossos sonhos, bla bla bla. Perseguir você. Um monte de lixo, isso sim. 
Após tanto ter disperdiçado o que de bom eu sentia, eu desisti. Esse estado é bom demais para doa-lo, e por mais que eu não o alcance sozinha, sou sim egoísta o suficiente para entrega-lo e abusa-lo dele somente uma pessoa: eu.
Não deixo de ser agradecida por me dar um pouco de prilimpimpim e por até hoje ser o meu estoque de toda a mágica, mas eu não estou te devolvendo ela. Assumo que um dia você possa se cansar de me oferecer tudo que têm, mas enquanto isso eu ainda estou consumindo, e assim que vai ser. Espero que não se chateie, no fundo eu queria que isso fosse real, mas é exatamente por isso que eu não posso devolve-lo. Ora, pense bem, meu pózinho de magica simplesmente acabará se eu tentar te recompensar... porque você não é real, assim como a alegria que sinto. Não posso deixar que me mostre que - eu sempre soube que - as coisas não são como eu acho que são, prefiro continuar me alimentando, até eu estar cheia. Eu, você e minha droga. Minha droga. Eu. Você não.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

 Durante bastante tempo tive certeza absoluta do que eu queria, e hoje não é diferente. Não é uma necessidade, é algo mais para vontade... e quem nunca se entregou à um desejo que atire a primeira pedra. 
Por mais insensato que fosse eu provei, e agora eu quero devorar por completo, mas talvez seja melhor continuar abstinente. Talvez seja melhor nunca mais nos cruzarmos novamente, e por mais que todo o papo tosco sobre destino soe idiota e desacreditante, é meu ultimo recurso. Palavras não vão entrar pelo seu ouvido, assim como abraços não vão te prender a mim e tampouco meu beijos farão você sentir qualquer coisa. 
Desde o começo foi assim e toda a causa de estado seja por ser como sempre foi. Distante, quente, indeciso, ansioso ...idealizado. Ainda não tive o bastante, velha frase de viciado. Que diferença há aqui? Zero. 
Nunca será o bastante... e se por algum remoto acaso eu me satisfazer, vai ser apenas pior. Será apenas mais uma frustrante escolha estupida que não deveria ter sido tomada. 
Por isso não vivo mais aqui, e aceitei então não poder mais experimentar aquela sensação. Não parti pois estava farta, simplesmente não poderia deixar que acabasse como sempre acaba, precisava continuar a amar. Não creio que algum dia entenderá o que eu digo, na realidade, você já está longe o suficiente pra não me ouvir mais. E isso me dá calafrios.
Mas cá entre nós, para termos finais de amor felizes, precisamos mesmo é de um acidente.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Quando tínhamos cinco, nos pediram que disséssemos o que queríamos ser quando crescesse. Nossas respostas foram coisas como astronauta, o presidente, ou no meu caso, uma princesa. Quando estávamos com  dez anos, eles perguntaram novamente. Nós respondemos a estrela do rock, cowboy. Mas agora que nós crescemos, eles querem uma resposta séria. Bem, quem diabos sabe? Este não é o momento de tomar decisões duras e rápidas, esta é a hora de cometer erros. Pegar o trem errado e ficar preso em algum lugar. Apaixone-se ... muito. Se interesse por filosofia, porque não há nenhuma maneira de fazer uma carreira além disso. Mude sua mente de novo e de novo, porque nada é permanente. Então, cometa muitos erros, porque você pode. Dessa forma, algum dia, quando voltarem a perguntar o que queremos ser, não teremos de adivinhar. Nós saberemos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Caso se ajoelhar ao amor seja mais prudente e digno do que se por a vestir sua máscara de felicidade em prol da dor do outro, o que aconteceria se nunca houve amor? Provavelmente não deveria haver toda essa dor, nem o sofrimento, nem a angustia de querer falar com o suposto amado, a saudade das conversas, e do corpo, quente e ardente... apaixonado?
Talvez; o momento exala mais sentimentos, do que uma vida inteira, ou simplesmente calor.
Ah, não importa mesmo, vai ver não são nem saudades, é só um ato egocentrico de uma pessoa egoista que não quer perder o que teve durante algum tempo, ou, desculpe o termo, fraco demais para aceitar que existiram pretenções; e cá entre nós, elas sempre vão existir, todas essas mentes são individuais demais, fortes, honrosas e certas demais. Quem sabe um dia alcancemos esse nivel, mas enquanto isso, continuarei com os exageros, as saudades, até mesmo a dor, lembranças e as frases de caminhão.