sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Estava passeando no centro, sem nada pra fazer, quando fui abordado por uma mulher de vestes curtas, em plena tarde de inverno, que me entrega um panfleto. De imediato amassei-o e joguei fora, mas, não sei porque resolvi voltar atrás e perguntar o que era.
O melhor programa da cidade, R$ 100,00 a hora, mas eu estava sem nada, não tinha nem uma migalha no bolso, alias, além da roupa, só o que eu tinha era a minha vontade, disse que voltaria outra hora, e ela disse pra eu voltar e chamar por ela, Susana, a noite vai ser inesquecível.
O dia passava e eu não conseguia parar de pensar no que ela havia me dito, mas que droga, R$ 100,00 é quase o que eu ganho no mês, alias, emprego de merda, vida de merda, faz mais de 5 meses que eu não fico sozinho com uma mulher no quarto, também, naquele maldito apartamento com aqueles drogados e aquela velha, a única vantagem daquele pulgueiro é que a policia nunca bate lá.
Que droga de vida, acho que se eu cair morto aqui ninguém sente falta, alias, to morto de fome, vou comprar alguma coisa na fruteira do Zé.
Roubei a tigela de moedas de um cego, ele ainda me agradeceu, é, tem quem esteja pior que eu. Comprei um pão com mortadela, era o banquete da semana, saí da fruteira, e vejo saindo da outra fruteira do outro lado da rua, aquela fruteira bonita e cara, Susana, agora com uma roupa menos curta, andando com um rebolado de quem quer ser exibir, quer ser notada, parecia tão forçado e tão atraente ao mesmo tempo, foi então que eu pensei, dane-se, não tenho família, e se me pegarem, na cadeia a comida é melhor que aqui. 
Fui atrás, a segui de longe até entrarmos em uma rua escura, perto da Avenida Brasil , ela foi para calçada esquerda, estávamos só nós dois na rua peguei minha faca, e não era pra cortar o pão, fui atrás dela com a vontade de um animal, corri por trás das árvores, passei por ela sem nem ela me notar, me escondi em uma arvore mais a frente, estava me preparando pra atacar, são tantos estupradores que a gente vê por ai que nunca da nada, sempre estão foragidos, até o Zequinha mesmo, um daqueles drogados do pulgueiro, já cansou de fazer isso, já estava até excitado, esse perigo sempre me “abriu o apetite”, quando ouvi um barulho e vi ela pulando pro lado.
Um carro passou rente a mim, a única coisa que deu pra ver foi ela voando, e ouvir o som das pernas quebrando, aquilo deve ter realmente doido, mas não sei se ela sentiu aquilo, caiu mole em cima de um muro, o sangue escorrendo pelas pernas e cabeça, o desgraçado do carro fugiu correndo, não deu pra ver nem a placa naquele escuro, fui ver como estava a mulher, achei que tivesse morrido, mas estava lá, tendo convulsões, parei, olhei aquilo e pensei, ah, que se dane, ainda ta quente, deve ser a mesma coisa. 

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