"(...)
Fernando ergueu-se de pronto:
- Neste caso receba minhas despedidas.
Aurélia de seu lado erguera-se também para cortejar o marido.
- Adeus, senhora. Acredite...
- Sem cumprimentos! atalhou a moça. Que poderíamos dizer um ao outro que já não fosse pensado por ambos?
- Tem razão.
Seixas recuou um passo até o meio do aposento, e fez uma profunda cortesia, à qual Aurélia respondeu. (...)
- Um instante! disse Aurélia.
- Chamou-me?
- O passado está extinto. Estes onze meses, não fomos nós que o vivemos, mas aqueles que se acabam de separar, e para sempre. Não sou mais sua mulher; o senhor já não é mais meu marido. Somos dois estranhos. Não é verdade?
Seixas confirmou.
- Pois bem, agora ajoelho-me eu a teus pés, Fernando, e suplico-te que aceites meu amor que nunca deixou de ser teu, ainda quando mais cruelmente ofendia-te. (...) Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te, nas iras de sua paixão. Aqui a tens implorando teu perdão, e feliz porque te adora, como o Senhor de sua alma. (...)
um pensamento funesto perpassou no espírito do marido. Ele afastou de si com um gesto grave a linda cabeça de Aurélia, iluminada por uma aurora de amor, e fitou nela o olhar repassado de profunda tristesa. (...)"
Senhora, cap XIX. J. de Alencar.
Fernando ergueu-se de pronto:
- Neste caso receba minhas despedidas.
Aurélia de seu lado erguera-se também para cortejar o marido.
- Adeus, senhora. Acredite...
- Sem cumprimentos! atalhou a moça. Que poderíamos dizer um ao outro que já não fosse pensado por ambos?
- Tem razão.
Seixas recuou um passo até o meio do aposento, e fez uma profunda cortesia, à qual Aurélia respondeu. (...)
- Um instante! disse Aurélia.
- Chamou-me?
- O passado está extinto. Estes onze meses, não fomos nós que o vivemos, mas aqueles que se acabam de separar, e para sempre. Não sou mais sua mulher; o senhor já não é mais meu marido. Somos dois estranhos. Não é verdade?
Seixas confirmou.
- Pois bem, agora ajoelho-me eu a teus pés, Fernando, e suplico-te que aceites meu amor que nunca deixou de ser teu, ainda quando mais cruelmente ofendia-te. (...) Aquela que te humilhou, aqui a tens abatida, no mesmo lugar onde ultrajou-te, nas iras de sua paixão. Aqui a tens implorando teu perdão, e feliz porque te adora, como o Senhor de sua alma. (...)
um pensamento funesto perpassou no espírito do marido. Ele afastou de si com um gesto grave a linda cabeça de Aurélia, iluminada por uma aurora de amor, e fitou nela o olhar repassado de profunda tristesa. (...)"
Senhora, cap XIX. J. de Alencar.
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